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domingo, 27 de junho de 2010

Namorada diz que Cristiano Ronaldo está planejando ter um filho

Em entrevista a uma revista portuguesa, Irina Shayk afirma que está noiva do jogador da seleção portuguesa e já teria o apresentado para a família


Reprodução revista LUX Cristiano ronaldo Irina ShaykC. Ronaldo com Irina

A nova namorada de Cristiano Ronaldo está realmente disposta a não largar o jogador do Real Madri. Em entrevista para a revista portuguesa “Lux”, a modelo russa Irina Shayk revelou que eles planejam ter um filho em breve.

- Cristiano é tão apaixonado por mim que já está planejando um filho comigo – disse.

No período de folgas antes do embarque para a disputa da Copa do Mundo da África do Sul, o jogador da seleção portuguesa já teria até conhecido os pais da modelo, que revelou para a família estar noiva do craque

Cristiano Ronaldo publica no Twitter foto dele com Kaká no vestiário Companheiros no Real Madrid, craques cumpriram acordo de trocar camisas

27/06/2010 16h08 - Atualizado em 27/06/2010 16h17



O jogador Cristiano Ronaldo publicou no Twitter uma foto dele e do camisa 10 da seleção brasileira, Kaká. É a prova de que os companheiros na equipe do Real Madrid cumpriram o trato de trocar camisas após o fim da partida. Mesmo sem ter jogado, suspenso após a expulsão contra Costa do Marfim, Kaká foi ao vestiário português e trocou camisas com Cristiano. Detalhe: quem levou a camisa que Cristiano usou no jogo foi o zagueiro Lúcio, após troca realizada ainda em campo.

kaka cristiano ronaldoPara delírio das fãs, Cristiano Ronaldo e Kaká juntos no vestiário português (Foto: Reprodução/Twitter)

amado pelas mulheres e um homem solidario !


Cristiano Ronaldo substituiu David Beckham na campanha de roupa interior da Emporio Armani, o que lhe permitiu conhecer a manequim russa com quem namora, Irina Shayk
destaque

Cristiano Ronaldo e David Beckham têm muito mais em comum do que se possa imaginar. A revista ‘People' dedicou-se a fazer uma listagem das semelhanças entre as duas estrelas do futebol e chegou a resultados interessantes.

Além de ambos terem brilhado no Manchester United e no Real Madrid, foram alvo de contratações milionárias. Beckham foi para o LA Galaxy com um contrato de cinco anos por 200 milhões de euros. Já a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid custou 94 milhões de euros.

Questões futebolísticas à parte, CR7 sucedeu ao jogador inglês nas campanhas de roupa interior da Armani, onde faz furor a mostrar o resultado dos três mil abdominais por dia.

Depois... ambos têm mulheres de sonho, Victoria e Irina, e um fascínio pelo número 7: CR e Beckham usaram a camisola 7 no Manchester United, o inglês tatuou ‘VII' no corpo e ambos têm uma marca de roupa com o número mágico.

RONALDO NÃO LARGA O FACEBOOK

Cristiano Ronaldo tem feito várias actualizações diárias na sua página do Facebook. O jogador quer estar em permanente contacto com os seus fãs.

SOLIDÁRIO

Mostrando mais uma vez o seu cariz solidário, Cristiano Ronaldo deu o seu contributo para a Associação Acção Cidadã, que se localiza em Caruaru, no Nordeste Brasileiro.

O jogador ofereceu um equipamento completo do Real Madrid à Associação, que tem como objectivo angariar fundos para construir uma escola profissional para os jovens adquirirem competências.

domingo, 6 de junho de 2010

Em busca das digitais do Criador


Em sua última edição (Ano 11, edição 118), a revista Eclésia - "A revista evangélica do Brasil" - publicou entrevista de cinco páginas com o jornalista e membro da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br) Michelson Borges, que fala sobre ciência e religião, design inteligente, idade da Terra, dilúvio, dinossauros, fósseis e muito mais. Confira a íntegra da entrevista aqui:

Vários cientistas costumam criticar o criacionismo e chamá-lo de “pseudo-ciência”, alegando que se trata de uma filosofia religiosa e não uma teoria com bases científicas. O criacionismo é ou não científico?

O criacionismo, no fundo, está mais para filosofia e teologia do que para ciência, uma vez que em sua base jaz a crença no Deus Criador, algo que de fato não pode ser demonstrado em laboratório. Mas muitas das premissas criacionistas podem ser verificadas empiricamente, sim. Como, por exemplo, a impossibilidade da origem da vida a partir de matéria inorgânica, de maneira casual. Por muitos anos, os cientistas evolucionistas vêm tentando criar os componentes básicos da vida em laboratório, mas sem sucesso (mesmo o famoso experimento de Urey-Miller vem sofrendo sérios questionamentos). E ainda que os cientistas conseguissem, contra todas as probabilidades, fazer surgir alguma coisa parecida com uma célula ou quem sabe o DNA, estariam apenas provando que para se criar vida é necessário planejamento inteligente e condições programadas. Note: com toda a tecnologia de que dispõem e depois de tanto tempo e dinheiro gastos em pesquisas, os evolucionistas querem nos fazer crer que algo que eles não conseguem criar teria surgido de maneira espontânea e não planejada. É justo dizer que isso também se trata de filosofia; ou mesmo “teologia”: a “teologia” dos deuses tempo e acaso.

Ciência e religião podem ser conciliadas?

Depende de que ciência e de que religião se está tratando. Se você se refere à religião bíblica e à ciência experimental, a conciliação é perfeitamente possível. Exemplo disso são os chamados “pais da ciência”. Galileu, Copérnico, Kepler, Descartes, Newton e outros grandes gênios científicos do passado eram também homens de profundas convicções religiosas. Para Newton, o principal objetivo da ciência é realizar uma argumentação retrospectiva ao longo da cadeia de causas e efeitos mecânicos até chegar à primeira de todas as causas, que certamente não é mecânica, e que, para Newton, era Deus. Por isso, ele encarava o aprendizado como uma forma de obsessão, uma busca a serviço de Deus.

Segundo Nancy Pearcey e Charles Thaxton, autores de A Alma da Ciência, “o tipo de pensamento conhecido hoje em dia como científico, com sua ênfase na experimentação e formulação matemática surgiu numa cultura específica – a da Europa Ocidental – e em nenhuma outra. ... Os mais diversos estudiosos reconhecem que o Cristianismo forneceu tanto os pressupostos intelectuais quanto a sanção moral para o desenvolvimento da ciência moderna”. Como assim?

Primeiro, a Bíblia ensina que a natureza é real, diferentemente de outros sistemas religiosos que a consideram irreal, como o panteísmo, o hinduísmo e o idealismo. Segundo, a doutrina bíblica da Criação implica que o mundo não é ilusório; antes, é “uma esfera de estruturas definíveis e relações reais e, portanto, um objeto passível tanto do estudo científico quanto filosófico”, nas palavras de Langdon Gilkey, professor de Teologia da University of Chicago School of Divinity. Terceiro, na visão bíblica, a natureza tem valor, pois o que Deus fez é bom. Os gregos antigos, por exemplo, não tinham essa convicção. Eles equiparavam o mundo material ao mal e à desordem, daí o fato de denegrirem qualquer coisa relacionada à esfera material. O trabalho manual era relegado aos escravos, enquanto os filósofos levavam uma vida de ócio, na busca das “coisas elevadas”. Provavelmente esse seja um dos motivos pelos quais os gregos não desenvolveram uma ciência empírica, que requer observação prática e de primeira mão, bem como a experimentação. O cristianismo ensina que o mundo físico tem grande valor como criação de Deus e que as coisas materiais devem ser usadas para a glória de Deus e para o bem da humanidade. Por isso, na Europa Ocidental cristã nunca houve o mesmo desprezo pelo trabalho manual. Não havia uma classe de escravos para realizar trabalhos e os artesãos eram respeitados.

“Enquanto a natureza é objeto de adoração religiosa, sua análise é considerada uma heresia... O monoteísmo da Bíblia [do Deus fora da matéria] exorcizou os deuses da natureza, libertando a humanidade para desfrutá-la e investigá-la sem medo. Somente quando o mundo deixou de ser um objeto de adoração é que pôde tornar-se um objeto de estudo”, dizem os autores de A Alma da Ciência. E para que se tornasse um objeto de estudo, o mundo deveria ser encarado como um lugar onde os acontecimentos ocorrem de modo confiável e regular – o que, diga-se de passagem, também foi um legado do cristianismo bíblico.

Portanto, a ciência experimental e a religião bíblica não apenas são compatíveis, como aquela nasceu com a ajuda desta.

Quais são os principais argumentos para se defender que o mundo foi criado por Deus e não houve uma evolução de milhões de anos?

Se tivesse havido uma evolução de milhões de anos, isso teria de alguma forma sido preservado no registro fóssil. Deveria haver milhares de elos de transição entre os animais fósseis. Mas não é o que se vê. Os fósseis são perfeitamente reconhecidos conforme seus “tipos básicos”. Note que mesmo antes de Darwin surgir no cenário histórico, Newton já percebia essa incoerência: “Se os homens, animais, etc., tivessem sido criados por ajuntamentos fortuitos de átomos, haveria neles muitas partes inúteis, aqui uma protuberância de carne, ali um membro a mais. Alguns animais poderiam ter um olho só, outros, mais dois.” Ainda nem se falava em design inteligente, mas Newton já advogava a idéia.

Outra evidência de que o mundo foi criado e planejado nos vem dos chamados “princípios antrópicos”. Por exemplo, temos 21% de oxigênio na atmosfera, o que torna a vida possível na Terra. Se fossem 25%, haveria incêndios espontâneos. Se fossem 15%, os seres humanos ficariam sufocados. Se a atmosfera fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície da Terra. Se fosse mais transparente, seríamos bombardeados com muito mais radiação solar. E o que dizer da interação gravitacional Terra-Lua? A distância entre elas faz com que os efeitos sobre as marés, sobre a atmosfera e sobre o tempo de rotação sejam ideais para manter a vida e a estabilidade no clima. Finalmente, Se a força gravitacional fosse alterada em 0,00000000000000000000000000000000000001 por cento, o nosso Sol não existiria e, portanto, nós também não.

Ninguém jamais aceitaria que os equipamentos de suporte de vida de uma espaçonave pudessem surgir por acaso ou se ajustar ao longo de milhões de anos. O que dizer, então, do fino sistema de suporte de vida da “nave” conhecida como Terra?

Você percebe que a existência da vida é uma inescapável conseqüência da lógica e de planejamento inteligente?

Como o criacionismo explica a medição de tempo e de idades de rochas e fósseis que remontam a origem da vida há milhões de anos no passado?

O arqueólogo Säve Söderbergh referiu-se às atitudes comuns entre seus colegas nos seguintes termos: “Se uma datação radiocarbônica apoia nossas teorias, nós a colocamos no texto; se ela não contradiz frontalmente, colocâmo-la no rodapé e, se for discrepante, simplesmente não a mencionamos.” Bastante tendencioso, não?

O criacionista clássico, fundamentado na Bíblia, admite que a vida na Terra tenha cerca de 6 a 10 mil anos. Assumindo a origem da população humana com Noé, e admitindo um crescimento médio anual da ordem de 0,5% (hoje ele se situa em torno de 2%) para assimilar guerras, epidemias, pragas, baixo nível de conhecimento e outros fatores que fazem baixar o nível de crescimento populacional, 4.300 anos seriam suficientes para ser atingida a atual população da Terra. Um crescimento médio de 0,35% ao ano, desde Noé até Cristo, permitiria que a população mundial atingisse os supostos 300 milhões de habitantes daquele tempo. Por outro lado, se a espécie humana tivesse um milhão de anos de existência, como dizem, mesmo a pequena taxa de crescimento médio de 0,1% ao ano faria surgir um número fantasticamente grande de habitantes, os quais nem todo o Sistema Solar poderia conter!

Também é interessante notar que o comportamento dos elementos radioativos nem sempre promove, em todos os casos, a idéia de uma Terra extremamente antiga, como querem os evolucionistas. Robert Gentry, incontestável perito mundial em halos radioativos, percebeu isso. Os radiohalos (ou halos radioativos) correspondem a microscópicas feições encontradas preferencialmente em biotita, um dos minerais essenciais das rochas graníticas. Essas minúsculas estruturas são originadas pela emissão de partículas alfa, a partir de um pequeno grão de material radioativo. No seu trajeto, essas partículas danificam a porção mineral circunjacente. Tendo em vista o contínuo processo de desintegração radioativa de “pai” para “filho”, partículas alfa com energias ou velocidades diferenciadas são produzidas, gerando então uma estrutura equivalente a várias esferas concêntricas, cujo centro conteria o referido grão radioativo.

Segundo o próprio Gentry, sua maior descoberta foi verificar a presença de radiohalos de Polônio, de origem primária, em granitos pré-cambrianos (0,6 a 4,6 bilhões de anos). Acrescentando-se à descoberta o fato de que os halos radioativos só são preservados a temperaturas inferiores a 300 °C, chegou a seguinte conclusão: os granitos “pré-cambrianos” foram criados a baixa temperatura e de maneira praticamente instantânea, afinal, a meia-vida do Polônio218 é de apenas três minutos! A evidência era tão grande que Gentry tornou-se criacionista.

Gentry descobriu que os granitos tiveram que ser criados de forma rápida e à frio. Para o pesquisador, o granito “pré-cambriano”, ou embasamento cristalino primordial da crosta terrestre, teria sido criado por Deus no primeiro instante (tempo inferior a três minutos) do primeiro dia da criação, há cerca de 6 mil anos. E até agora ninguém contradisse o perito em alguma publicação científica.

Existe uma idéia divulgada entre os criacionistas de que o dilúvio bíblico explicaria a extinção dos dinossauros. Pode explicar melhor essa história?

Os fósseis dos dinossauros estão aí para contar a história. Fósseis só se formam se o animal for soterrado rapidamente sob lama e sedimentos (se o bicho morre e fica exposto, acaba devorado por outros animais ou se decompõe). A pergunta é: De onde veio tanta lama para sepultar tantos animais gigantescos em várias partes do mundo? Muitos desses fósseis, inclusive, indicam que os animais morreram em estado de agonia. As pegadas fósseis também contam uma história interessante. Elas só ficaram registradas porque os dinossauros pisaram na lama e depois essas marcas acabaram cobertas por mais lama e ambas se solidificaram. Recentemente, uma equipe de cientistas europeus descobriu marcas de dinossauros no fundo de um lago na Espanha. Liderado por Ruben Ezquerra, da Fundação do Patrimônio Paleontológico de La Rioja, o estudo foi publicado na edição de junho do jornal científico norte-americano Geology. “Quando você vê pegadas, dá para realmente reconhecer um pé no chão. Mas neste caso nós temos apenas séries de sulcos – longos sulcos de 60 centímetros, por exemplo – que são realmente característicos do corpo do animal sendo sustentado pela água”, afirma Loic Costeur, paleontólogo da universidade francesa de Nantes e co-autor do estudo. Agora visíveis na superfície, essas marcas teriam sido deixadas por um dinossauro nadando e arranhando o fundo do lago com as patas traseiras, talvez um carnívoro de grande porte do grupo do Tiranossauro Rex.

Se alguns filhotes de alguns tipos de dinossauros foram salvos na arca de Noé, não sabemos. O que sabemos é que muitas espécies acabaram extintas não apenas pelo Dilúvio, mas também pelos efeitos posteriores e decorrentes da catástrofe.

Se realmente o dilúvio foi universal, uma catástrofe global, de onde veio tanta água, a ponto de cobrir as mais altas montanhas?

Primeiramente, é bom que se diga que as mais altas montanhas do mundo antediluviano provavelmente não fossem tão altas assim. Cordilheiras como a dos Andes e mesmo o Everest estão em movimento e tudo leva a crer que tinham altitude bem inferior há alguns milhares de anos. Somando as águas subterrâneas (“fontes do abismo”) e as águas em forma de vapor na atmosfera (as “águas” sobre o firmamento, de que fala o Gênesis), seria teoricamente possível cobrir toda a superfície da Terra. Depois, toda essa água acabou acumulada nos grandes mares e lagos.

Talvez a menção da formação das cordilheiras há milhares de anos chame a atenção de alguns. Mas é bom lembrar que essa possibilidade existe. Em meu livro A História da Vida, menciono dois exemplos de transformações topográficas rápidas, entre muitas outras registradas na história geológica. Em 27 de agosto de 1883, o vulcão Perbuatão, na ilha de Cracatoa, explodiu e fez afundar a maior parte da ilha, que tinha anteriormente uma área de 40 km2. Em 1950, na Índia, um terremoto transformou a configuração de cordilheiras inteiras na região do Himalaia. Em questão de horas e até minutos, muita coisa pode ser transformada por catástrofes naturais locais; imagine do que seria capaz um cataclismo mundial como o Dilúvio de Gênesis!

O que costuma ser também muito intrigante são alguns fósseis que os evolucionistas costumam classificar como pertencentes a antepassados do homem e dos animais modernos. Como os criacionistas interpretam esses fósseis?

Esse assunto é sempre cercado de muita controvérsia e de vez em quando vemos o que antes eram certezas sendo desfeitas por novas pesquisas. Recentemente, um dos maiores achados arqueológicos foi posto em dúvida por um grupo de antropólogos israelenses. Em um estudo publicado na edição on-line da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, antropólogos da Universidade de Tel Aviv afirmam que Lucy (que depois se descobriu ser Lúcio), o famoso esqueleto de Australopithecus afarensis, de supostos 3,2 milhões de anos, encontrado em 1974 na Etiópia, não é o último ancestral comum entre os humanos modernos e uma família de grandes primatas conhecidos como “hominídeos robustos”. Segundo os pesquisadores, determinadas características morfológicas encontradas em Lucy – e que também são encontradas nos Australopithecus robustus – não existem nos humanos.

Volta e meia a árvore evolutiva humana é alterada por novas descobertas que mostram que a tal “árvore” está mais para um monte de galhos desconectados. A propósito, o famoso elo imaginário entre homens e símios continua perdido...

Quais foram os grandes erros de Darwin na elaboração de sua teoria da evolução?

Segundo a Dra. Márcia Oliveira de Paula, professora do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e presidente do Núcleo de Estudos das Origens (NEO), ninguém pode tirar o mérito de Darwin pelo seu trabalho, que inclui a idéia da seleção natural, a qual explica como organismos que possuem características mais vantajosas podem sobreviver em um determinado ambiente, em detrimento de outros organismos que não a possuem, e passar essa característica para os seus descendentes. Porém, o grande problema de Darwin e de outros evolucionistas é que eles se baseiam em pequenas mudanças plausíveis, que são observadas na natureza, ou seja, surgimento de novas espécies a partir de uma espécie ancestral, e extrapolam que mudanças muito maiores, nunca observadas na natureza e nem experimentalmente, seriam possíveis, bastando apenas ter ocorrido em milhões ou bilhões de anos. Por isso há quem diga que Darwin acertou no varejo, mas errou no atacado.

Resumindo, a teoria da evolução não consegue explicar a origem da vida por processos naturais, a partir de matéria não viva; também não consegue explicar a origem da informação genética nem de sistemas irredutivelmente complexos; não consegue explicar o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismo durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais. Em relação ao registro fóssil, a teoria da evolução não consegue explicar a Explosão Cambriana; e também não consegue explicar a falta de formas de transição entre os principais grupos de organismos. Por outro lado, a teoria da evolução explica muito bem processos como a microevolução e especiação (processo de formação de novas espécies).

No livro A caixa preta de Darwin, o bioquímico norte-americano Michael Behe defende que os sistemas vivos, em nível molecular, são melhor explicados como fruto de um planejamento inteligente. Esse é um dos argumentos do design inteligente contra o evolucionismo. Qual a sua opinião sobre esse movimento?

A Teoria do Design Inteligente (TDI) tem como objetivo demonstrar as insuficiências epistêmicas do darwinismo, propondo um debate científico a respeito da viabilidade ou não dos postulados evolucionistas. Vejo com bons olhos essa iniciativa, já que a idéia é discutir o assunto em âmbito estritamente científico, coisa que o criacionismo dificilmente consegue, devido ao preconceito. Mas, curiosamente, muitos darwinistas viram as costas à discussão e blindam o darwinismo contra essas críticas, alegando que a TDI se trata de um novo tipo de criacionismo.

Tanto o criacionismo como o design inteligente podem ser vistos como teorias estritamente científicas, que não precisam apelar para a religião para ter fundamento?

A TDI pode ser vista dessa forma, já que não apela para livros religiosos ou divindades. O criacionismo, por outro lado, pode ser considerado uma teoria híbrida científico-religiosa, pois vai além do escopo científico, ao identificar o designer como sendo o Deus Criador. A TDI se vale de apenas uma ferramenta: a ciência. O criacionismo também usa a ciência, mas não dispensa a ferramenta da teologia. É o que Newton fazia. E ele pôde enxergar mais longe por isso.

Costuma-se dizer que os criacionistas não têm credenciais científicas e seriam “especialistas autoproclamados”. Qual a sua opinião sobre isso? Pode citar quem são os cientistas criacionistas mais qualificados na atualidade?

Quando li pela primeira vez essa expressão aplicada aos pesquisadores criacionistas, resolvi mostrar que isso não é verdade. Realizei doze entrevistas com pesquisadores cujas credencias são indiscutíveis e publiquei o material em forma de livro, intitulado Por Que Creio. Onze deles são criacionistas brasileiros que atuam em áreas como física, biologia, arqueologia, matemática, botânica, etc. Apenas um, o Michael Behe, não é criacionista, mas questiona o darwinismo de maneira estritamente científica.

Acusar os criacionistas de “especialistas autoproclamados”, portanto, é apelar para o argumento ad hominem é desviar o foco da discussão. O pessoal do Geoscience Research Institute, nos Estados Unidos, é um bom exemplo de gente que faz pesquisa séria em criacionismo.

Apesar do criacionismo, a Igreja Católica finalmente admitiu que o processo de criação do mundo pode ter durado milhões de anos. Essa postura já era aceita por teólogos liberais. Nos próximos anos quem deverá mudar mais: a igreja ou a ciência convencional?


A Igreja Católica tem um histórico de mudanças doutrinárias e de postura ao longo da História. Não concordo que a teologia deva se adaptar às descobertas da ciência, que são bastante mutáveis. Imagine se a Bíblia fosse concordar com a visão geocêntrica aristotélica esposada pelo catolicismo nos tempos de Galileu... A Palavra de Deus é imutável justamente pelo fato de ter sido inspirada por aquele que sabe todas as coisas e não erra. A ciência é um tipo de busca pela verdade, mas nesse processo de busca acaba enveredando por caminhos tortuosos e freqüentemente precisa retornar ao ponto de partida. Não há nenhum problema nisso. A ciência deve ser assim mesmo. O erro está em elevá-la ao status da teologia, sem se entender seu caráter transitório como ferramenta humana.

Ao tentar hibridizar o evolucionismo com a fé na criação, a Igreja Católica acaba criando uma terceira teoria amorfa mais problemática. Se antes de ter existido o primeiro ser humano já havia morte no mundo, então a morte foi criada por Deus, como algo inerente à Sua criação e não é resultado do pecado humano. Isso é absurdo! Jamais aceitaria um Deus assim. Se a história relatada nos primeiros capítulos de Gênesis é mitológica, por que Jesus teria Se referido a ela de maneira literal? Estaria Ele errado e a Igreja certa? Se essa história é mesmo uma alegoria, então o pecado também é uma ilusão. Então, Jesus morreu por quê?

Não sei quem vai mudar mais, se a ciência ou a igreja. O que sei é que a igreja deveria mesmo é se ater a uma visão bíblica que permita que as Escrituras se interpretem a si mesmas e defender essa visão neste mundo cético e irreverente. A tendência conciliatória evita os debates, mas afasta as pessoas da verdade.

Uma das grandes polêmicas educacionais na atualidade é justamente a introdução do ensino da criação no currículo escolar. Como você vê essa questão? Dá para ensinar a teoria criacionista sem ser proselitista?


Considero curiosa a reação negativa de alguns segmentos à inclusão do criacionismo nas aulas de religião, por exemplo. Não vivem dizendo que criacionismo é apenas religião? Então, por que se opor ao seu ensino nas aulas de educação religiosa? Num contexto cristão, considerando-se que o criacionismo é bíblico, não considero seu ensino como sendo proselitismo.

Recentemente começaram as comemorações dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin. Como sempre, a mídia deu grande destaque e alfinetou as religiões que acreditam em Deus como Criador. Como você analisa a cobertura da mídia nessas questões? Há parcialidade e até discriminação?

O que mais me chama a atenção é a ausência de homenagens similares a cientistas que deram maiores contribuições à ciência, como Newton e Einstein, por exemplo. Outra postura reprovável é o sensacionalismo. Recentemente, uma revista popular de divulgação científica estampou na capa o seguinte título: “Darwin, o homem que matou Deus.” É a típica capa feita para vender. Infelizmente, de modo geral, a mídia secular está vendida à visão de mundo naturalista e tudo que se oponha a isso acaba sendo hostilizado ou depreciado.

Falando sobre mídia, é possível perceber uma explosão de reportagens, programas e produções com temática espiritualista. Reencarnação, ioga e vidas passadas, por exemplo, são assuntos sempre constantes nas grandes revistas e nas novelas da televisão. Por que tanta ênfase nesses assuntos?

Para mim, evolucionismo e espiritualismo são duas faces da mesma moeda. O grande conflito entre o bem e o mal neste universo teve início quando uma criatura alimentou o espírito de independência. Quis ser mais do que devia e procurou viver como se Deus não existisse; ou melhor, quis ser Deus. A idéia de evolução sem Deus está entranhada em ambas as filosofias, embora uma seja materialista e a outra não.

Sei que pode parecer coisa de teorias conspiratórias, mas o fato é que, à medida que a volta de Jesus se aproxima, esse ser que queria ser Deus tenta cada vez mais incutir nas pessoas o desejo que ele mesmo inaugurou e acalentou por tantos séculos: a independência de Deus, que acaba distanciando a criatura do Criador.

Por outro lado, os evangélicos quase sempre costumam ser criticados pela imprensa secular. Existe alguma discriminação ou até manipulação?

O preconceito existe, sim. Mas às vezes a culpa é dos próprios evangélicos. A fé irracional manifestada por alguns crentes acaba lançando vitupério sobre todos os evangélicos. O cristão atual deve estar, tanto quanto possível, bem informado e evitar fazer afirmações sobre assuntos que desconhece. É muito comum ouvir crentes dizendo que o homem “veio do macaco”, por exemplo. Nada mais incorreto, mesmo para os darwinistas.

Mas o preconceito existe e não há dúvida. Um mesmo telejornal que critica o criacionismo como se fosse mera crendice veicula reportagem sobre as “pílulas” de Frei Galvão de maneira séria.

Uma das mais duras críticas à mídia é de que ela banaliza a sexualidade, incentivando a promiscuidade. Agora, pega fogo a discussão sobre o controle daquilo que a mídia veicula. Você concorda com esse tipo de controle? Não seria um tipo de censura?

Pode até caracterizar um tipo de censura, mas quando se percebe que as letras relativamente inocentes dos sucessos musicais do passado deram lugar a uma linguagem sexual ousada e de palavrões; quando um escritório de advocacia de Chigago causa polêmica com um novo anúncio em que os corpos seminus de um homem e uma mulher dividem um outdoor e incentivam o divórcio; quando novelas veiculam imagens com forte conteúdo sexual em horários nos quais as crianças estão “coladas” na tela da TV; fico pensando se esse não acaba sendo o mal menor. Algum tipo de controle deve haver, já que os pais não têm conseguido fazer isso em casa.

Você pode citar exemplos de como a mídia tem contribuído para erotizar e aumentar a violência, principalmente no universo infantil?

Há poucos meses, um portal de notícias da internet mostrou crianças pedindo autógrafos a uma modelo, durante a festa de lançamento de uma revista masculina na qual ela aparece nua. E tudo como se fosse a coisa mais natural do mundo. O que podemos esperar desta geração que está crescendo com a idéia de que vender o corpo para ser observado é algo perfeitamente normal? Que tipo de homens e mulheres comporão a sociedade nas próximas décadas? Depois não venham reclamar que as mulheres estão sendo tratadas como objeto, que o romantismo foi embora, e coisas do tipo. Quem planta vento, colhe tempestade.

Como você vê o uso de mensagens e propagandas subliminares em filmes, novelas e até desenhos? Algum caso já o deixou mais indignado?

Uma pesquisa publicada na revista Current Biology sugere que propagandas que usam imagens subliminares provavelmente têm efeito. Esta é a primeira vez que pesquisadores conseguiram provas fisiológicas do impacto dessas imagens. E como as propagandas subliminares funcionam, eu as considero uma violação do direito de escolha do cidadão. Ainda assim, as mensagens subliminares que mais me deixam indignado são as ideológicas e dirigidas às crianças. Se os adultos mal podem se defender dessas mensagens, imagine os pequenos.

Quando se fala em mídia, é impossível esquecer da música. Qual é a sua opinião sobre o mercado musical evangélico e sobre a qualidade daquilo que se toca e canta nas igrejas atualmente?

Esse é outro tema polêmico. Por isso, prefiro antes deixar um ex-roqueiro dizer o que ele pensa. Brian Neumann, cuja história de envolvimento com o rock é contata por Samuele Bacchiocchi, em The Christian and Rock Music, faz o seguinte relato: “Logo reconheci que não havia diferença significativa entre o rock secular e sua versão ‘cristã’, independentemente da letra. Música cristã contemporânea que se conforma com os critérios básicos do rock não pode ser usada legitimamente como música de igreja. A razão é simples: o impacto do rock ocorre pela música e não pela letra.”

Se rastrearmos a origem do rock, chegaremos aos tambores dos cultos vodus, caracterizados por orgias sexuais e sacrifícios. A batida dos tambores favorecia o transe e o contato com os “espíritos”. Quando esse estilo musical é exportado para o ocidente, na década de 1969, “coincidentemente” tem início o movimento da contracultura, com sua negação dos valores morais. Droga, sexo e rock’n’roll são as palavras de ordem. Bem, Raul Seixas mesmo já dizia que o diabo é o pai do rock. A jogada de mestre desse “pai” foi introduzir esse estilo musical nas igrejas. Que efeitos terá isso sobre as congregações? Será que o tipo de reavivamento embalado pelo rock e ritmos derivados dele é bíblico? Como pergunta a Bíblia, que comunhão há entre a luz e as trevas? Taí algo para se pensar.

Hollywood parece cada vez mais sintonizada com a religião. Isso fica claro em produções como Sinais, Ghost, Sexto Sentido e Matrix. Como essas produções influenciam o público?

De fato, Hollywood está interessada em religião, porque o povo está interessado nisso. Mas que tipo de religião? A religião do descompromisso. Mera religiosidade fast-food, na qual eu determino as regras e a forma de adoração, se é que se adora alguém. Além disso, os espíritos estão a solta nos filmes e novelas, doutrinando as pessoas com esse tipo de religião que, como já disse, prega a independência humana.

Há uma enorme polêmica sobre a influência de desenhos animados, filmes, videogames no público, principalmente crianças. Até que ponto a fantasia pode influenciar a realidade?

Muitas pesquisas indicam que essa influência é real e não apenas sobre as crianças. Por isso, devemos estabelecer critérios de seleção baseados nos princípios bíblicos. Somos aquilo que pensamos; é da mente que procedem os bons e os maus desígnios; portanto, temos que levar a sério o assunto da proteção mental (se é que queremos ter a “mente de Cristo”). É importante passar mais tempo em contato com a Bíblia e em oração. Gastamos horas e horas na frente da televisão, lendo revistas ou jogando videogames, mas quanto tempo temos dedicado à nossa comunhão com Deus? Enfraquecidos espiritualmente, vamos sucumbir aos apelos da mídia e seremos cristão infelizes, fracos e formais.

Qualquer tipo de mídia pode virar um tipo de vício. Por isso, é preciso tratar o assunto da perspectiva de um viciado: se não consegue dominar a situação, saia de perto. Mas e se vier a tentação? Aceite o conselho de Gordon Van Rooy: “Quando o demônio bate à porta, peça que Jesus vá abri-la.”

Falando sobre você: como foi sua conversão e como surgiu seu interesse pela ciência, mais especificamente sobre o criacionismo?

Desde criança, sempre gostei de ler sobre ciência, especialmente assuntos relacionados aos dinossauros. Fui aficionado por livros de ficção científica e por séries como Jornada nas Estrelas, o que me levou a apreciar os estudos de astronomia. Antes de conhecer a Bíblia mais a fundo, eu era o que se pode considerar um evolucionista teísta. Cria em Deus, mas aceitava também as idéias darwinistas. Mas confesso que essa forma de pensar não me satisfazia plenamente. Quando me deparei com o criacionismo, por volta dos 17 ou 18 anos, fiquei surpreso e desapontado ao mesmo tempo. Surpreso por descobrir que havia outra maneira de explicar a origem da vida; e desapontado por perceber que não me haviam ensinado isso nem na igreja à qual eu pertencia, nem nas escolas pelas quais passei. Percebi o tipo de doutrinação pela qual as crianças passam desde cedo, ouvindo da tal “sopa primordial” onde teria surgido a primeira forma de vida. Essa “explicação” acompanha a pessoa ao longo de sua vida estudantil, de tal forma que, quando chega à universidade, ela não questiona mais os pressupostos darwinistas. Tremenda lavagem cerebral.

Hoje louvo a Deus por ver as coisas de outro modo e por saber que existe um Criador que me ama e Se interessa por mim. Ele administra as galáxias incontáveis e mantém a estrutura do espaço-tempo; conhece cada estrela pelo seu nome, mas também cuida de cada aspecto de minha vida.

Gazeta do Povo dá espaço a biólogo criacionista


Deu no blog Tubo de Ensaio, do Marcio Campos (exemplo raro de bom jornalismo): “Uma das coisas que eu percebi no debate sobre o ensino do criacionismo nas escolas confessionais era que praticamente não se deu espaço aos criacionistas para explicar no que eles realmente acreditam. Por isso, procurei a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), que intermediou uma entrevista por e-mail com o biólogo Tarcísio da Silva Vieira [já entrevistado por este blog], mestre pela Universidade de Brasília e professor universitário de Química Orgânica. Membro colaborador da SCB, Vieira expõe uma das vertentes do criacionismo, aponta compatibilidades com o evolucionismo e se diz contrário ao ensino do criacionismo nas escolas públicas.” Confira a íntegra da entrevista, que teve trechos publicados no jornal Gazeta do Povo (um dos maiores jornais do Paraná):

Em primeiro lugar, o que define um criacionista? Basta acreditar que Deus tirou o universo do nada, ou é preciso acreditar em outras intervenções criadoras de Deus?

Um aspecto de bastante relevância para aqueles interessados na controvérsia entre criacionismo e evolucionismo, e que não tem sido mencionado em tudo o que vem sendo veiculado na mídia, é que o termo “criacionismo” é bastante elástico. Há diversas vertentes intituladas igualmente como “criacionismo”. A Sociedade Criacionista Brasileira, por exemplo, divulga o criacionismo bíblico, que seria uma tentativa de associação entre o conhecimento científico e o conhecimento bíblico, desde que o primeiro não seja confundido com alguns pontos de vista que não são sustentáveis epistemologicamente dentro do próprio evolucionismo.

Simpatizantes do modelo criacionista que tenham tido formação acadêmica entendem a importância da teoria da evolução e reconhecem a grande contribuição dada por Darwin à comunidade científica. Entendemos que há aspectos no evolucionismo bastante fundamentados, os quais são indispensáveis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, assim como para a correta interpretação de dados experimentais. A estes aspectos nenhum criacionista que tenha formação científica se opõe. Porém, como em toda boa teoria, há alguns pontos no evolucionismo que não são sustentáveis e devem ser questionados, seja por um bom cientista ou por um bom estudante de ciências.

Também é preciso que se entenda que os simpatizantes do criacionismo bíblico têm a Bíblia como uma importante fonte de conhecimento. Diante desse fato, apenas para facilitar a compreensão, podemos dividir esses simpatizantes em dois grupos. No primeiro estariam aqueles que frequentam uma igreja e acreditam em Deus, em função do tipo de educação que receberam, ou por algum tipo de experiência que tiveram em sua vida, ou por qualquer outro motivo. Para eles, o relato bíblico é suficiente para que professem sua fé.

No entanto, diversos autores dos textos bíblicos instruem seus leitores a investigar a natureza – como Paulo, na carta aos Romanos (1:20) – a fim de que por essa investigação reconheçam a existência de um Criador. O segundo grupo de simpatizantes é o dos que pertenciam ao primeiro grupo (ou seja, que tiveram educação religiosa), entenderam o “recado da natureza” e tiveram a oportunidade de estudar ciências. Aos integrantes desse segundo grupo o relato bíblico também é suficiente para professarem sua fé, mas o conhecimento científico que adquiriram lhes permite também argumentar de maneira mais formal e racional a respeito daquilo em que acreditam, muitas vezes se contrapondo a alguns pontos de vista que não são sustentáveis epistemologicamente dentro do evolucionismo. Em qualquer desses grupos, permanece a convicção de que todos os atos referentes à criação feita por Deus, assim como o plano de redenção para toda a humanidade, são reais; esses são os atributos comuns aos proponentes dessa vertente do criacionismo.

Quando se fala de criacionismo, costuma-se remeter à tradição judaico-cristã da narração da criação segundo o Gênesis. É possível conciliar o criacionismo com outras tradições religiosas?

Creio que esse modo incorreto de associar o criacionismo unicamente à tradição judaico-cristã é decorrente, em parte, da constituição religiosa de nossa sociedade. Outro aspecto que conduz a esse tipo errôneo de associação é a falta de conhecimento, tanto por parte da maioria dos profissionais da imprensa quanto da maioria dos evolucionistas críticos do criacionismo, com relação à origem de toda essa controvérsia.

É consenso entre a quase totalidade das pessoas (e isso também infelizmente se aplica àquelas que frequentam uma igreja) que o confronto entre as ideias evolucionistas e criacionistas é um “impasse” entre ciência e fé e é algo que surgiu com o advento do Cristianismo.

Quanto ao primeiro ponto, eu me limitaria a dizer que os grandes ícones do desenvolvimento científico – dentre eles, só para citar os mais proeminentes em algumas áreas da Física, como Newton na óptica, na mecânica e na gravitação universal; Boyle no estudo dos gases; e Faraday e Maxwell no eletromagnetismo – que nos possibilitaram alcançar o patamar de conhecimento no qual nos encontramos compartilhavam, em sua quase totalidade, a fé em um Deus criador e pessoal. Essa fé os inspirava a desenvolver suas teorias e lhes permitia olhar com mais detalhes para a natureza, o que possibilitou a eles se tornarem homens e mulheres à frente de seu tempo.

Diante disso fica evidente que a controvérsia entre criacionismo e evolucionismo não é uma dicotomia entre ciência e fé, como é grandemente alardeado pela mídia em geral. Aquelas pessoas conciliavam sua fé em Deus com suas pesquisas referentes aos fenômenos naturais, obtendo resultados que os destacaram não apenas no contexto em que viviam. O verdadeiro embate entre as argumentações evolucionistas e criacionistas está centrado na existência ou não de planejamento e intenção nas coisas existentes. Enquanto o evolucionismo defende a ideia de acaso e aleatoriedade, buscando explicar a vida como sendo o resultado de causas puramente naturais, o criacionismo defende a ideia de propósito e planejamento, buscando explicar a vida como sendo resultante da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano.

Esse conceito integrado no criacionismo permite ao verdadeiro interessado nessa controvérsia encontrar evidências do confronto dessas ideias em diversas civilizações, em períodos históricos muito antecedentes ao surgimento do Cristianismo e do Judaísmo. É propagado erroneamente, tanto pela imprensa quanto por livros didáticos, que os povos ditos pagãos tiveram contato com a ideia de um Deus único, criador e redentor apenas após o advento do Cristianismo. Contudo, um minucioso estudo da mitologia e da literatura mesopotâmica, egípcia, chinesa, romana e de lendas indígenas, dentre outras, indica o oposto daquilo que nos é tradicionalmente ensinado. Na Grécia, em torno de 300 a.C., havia intenso debate entre epicuristas (que dentre outras ideias defendiam que todas as coisas tiveram origem em causas naturais aleatórias) e estóicos, defensores de que todas as coisas tiveram origem pela intenção e propósito de um Deus criador.

O trecho abaixo, originalmente presente na obra de Cícero De Natura Deorum, citado no livro Depois do Dilúvio (de autoria do historiador britânico Bill Cooper e publicado em português pela SCB), lança um breve lampejo sobre a argumentação dos simpatizantes do estoicismo: “Se existe algo na natureza que a mente humana, a inteligência, a energia e a força humanas não podem criar, então o criador dessas coisas deve necessariamente ser um ente superior ao homem. Os corpos celestes em suas órbitas eternas certamente não podem ser criados pelo homem. Eles, portanto, devem ter sido criados por um ser superior ao homem. (...) Somente um tolo arrogante imaginaria que nada houvesse no mundo todo maior do que ele próprio. Logo, deve existir algo maior do que o ser humano. E esse algo deve ser Deus.”

Em nossos dias, o criacionismo formal como o conhecemos está associado às três grandes religiões monoteístas, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo.

Como o criacionismo interpreta a narração do Gênesis? Uma interpretação estritamente literal, ou questões como a dos “seis dias” podem ser vistas como metáfora?

Para os simpatizantes do criacionismo bíblico, a Bíblia é literal em todas as suas colocações, exceto em três situações. A primeira é aquela em que o próprio relato bíblico informa o contrário, como quando são utilizados metais preciosos para designar reinos poderosos e metais menos nobres para designar reinos menos poderosos, no livro de Daniel [cap. 2].

A segunda situação ocorre quando transparece que o escritor não tinha em mente o intuito de transmitir conhecimento científico, mas sim de descrever um fenômeno na linguagem mais simples possível, de modo que aquela informação fosse compreensível por todos, e pode ser exemplificada com a passagem no livro de Josué, no qual o escritor menciona que o Sol se deteve nos céus, o que é interpretado por muitos, de maneira precipitada, como sendo uma alusão ao “fato” de que, para aquelas pessoas, o Sol girava em torno da Terra.

E, finalmente, o terceiro caso é aquele em que os conceitos que adquirimos em tempos recentes aparentemente contrastam com aquilo que era aceito popularmente no período em que um determinado texto bíblico foi escrito, por exemplo, no livro de Levítico, em que o morcego é classificado como ave, e não como mamífero. Acontece que a classificação taxonômica que utilizamos hoje é muitíssimo recente em comparação com o texto bíblico. Na época em que aquele livro foi escrito, e refletindo um critério bastante prático, era suficiente classificar os seres vivos em terrestres, aquáticos e alados, sendo esta última a classe na qual o morcego evidentemente se enquadrava.

Salvo essas situações (e obviamente outras que possam ser incluídas em contextos similares), entendemos a Bíblia sempre como literal, e isso inclui todo o livro de Gênesis; portanto, para nós os seis dias da Criação são literais, embora existam correntes teológicas que entendam esses dias como períodos não correspondentes a 24 horas. Outras vertentes do criacionismo consideram esses dias da Criação como longos períodos de tempo, correspondentes a eras, numa tentativa de associar o relato do livro de Gênesis aos fatos advindos da sucessão dos fósseis nas rochas sedimentares e as respectivas idades obtidas pelos métodos de datação radiométrica, associação esta de forma alguma aceita pelos simpatizantes do criacionismo bíblico.

Que outras vertentes do Criacionismo podem ser mencionadas?

Dentro das diferentes correntes criacionistas há pontos que são compatíveis com outras vertentes, e pontos de incompatibilidade. O fixismo, por exemplo, era utilizado no passado por teólogos no sentido de deixar claro para as pessoas da época que os seres haviam sido criados por Deus exatamente como são, ou seja, os seres originalmente criados por Deus não teriam sofrido nenhuma mudança significativa ao longo do tempo. Infelizmente essa era a ideia aceita pela sociedade (incluindo os naturalistas, ou seja, os cientistas daquela época).

A partir das observações e da publicação dos trabalhos de Darwin, o fixismo foi duramente criticado e caiu por terra, de forma que hoje nenhuma pessoa que tenha tido o privilégio de estudar ciências argumenta em favor daquelas ideias. Mesmo as observações cotidianas conduzem um indivíduo atento à conclusão de que os organismos sofrem modificações ao longo do tempo. Cientistas e estudantes sérios, simpatizantes do criacionismo bíblico, reconhecem essas variações e jamais argumentariam contra esse fato, uma vez que, além de verificarem o fenômeno da variação em seus estudos, a própria Bíblia nos permite chegar a conclusões sobre a variação dos organismos inicialmente criados por Deus (pena que isso não seja entendido por alguns teólogos em nossos dias). Contudo, dentro do modelo criacionista, essas variações têm um limite que abrange, em alguns casos, desde o taxon Espécie até o taxon Ordem.

A mídia, no entanto, com o intuito de desmoralizar o modelo criacionista e expor seus simpatizantes ao ridículo, tem procurado associar o criacionismo ao fixismo, o que é absurdo! Não se pode negar que alguns indivíduos pertencentes àquele primeiro grupo que eu mencionei no início realmente argumentem em favor do fixismo, mas é preciso lembrar que se trata de pessoas que não possuem formação científica. Veicular nos meios de comunicação que todo criacionista é fixista é no mínimo desonesto.

Também é possível mencionar o pontuísmo ou Teoria do Equilíbrio Pontuado, uma argumentação proposta por Stephen Jay Gould e Niles Eldredge, na tentativa de explicar o aparecimento abrupto de novas espécies, no registro fóssil, que permanecem praticamente sem nenhuma alteração até a sua extinção, o que em princípio contrariava a evolução defendida por Darwin. Para maiores detalhes, indico o amplo livro de Gould The Structure of Evolutionary Theory, recentemente lançado.

Já o gradualismo, resumidamente, é aplicado pelos simpatizantes da teoria da evolução que defendem a mudança nos organismos através da acumulação de pequenas modificações ao longo de várias gerações, durante intervalos de tempo incomensuráveis, o que é incompatível com os dados obtidos da observação e da experimentação.

Afirma-se que o criacionismo, embora efetivamente possa ser considerado uma teoria, não poderia ser considerado teoria científica por não ser “falseável”, pelos critérios de Karl Popper. Como o senhor avalia essa observação?

Aqui estão em jogo muitos critérios, definições e conceitos que conduzem a controvérsia entre criacionismo e evolucionismo para o campo da Filosofia. Vejamos a definição mais aceita daquilo que seja uma “teoria científica”, segundo o próprio Karl Popper: teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações que fazemos. Assim, uma boa teoria deverá descrever uma vasta série de fenômenos com base em alguns postulados simples, como também deverá ser capaz de fazer previsões claras, as quais poderão ser testadas.

O criacionismo não preenche os critérios definidos por Popper, ou seja: diante do exposto, o criacionismo não passa nem perto de ser uma teoria científica! Porém, pode ser qualificado como um bom modelo, que em muitos pontos é sustentado pelas evidências científicas de que dispomos até o momento.

Em meu ponto de vista (que compartilho com muitos cientistas e pesquisadores simpatizantes do criacionismo bíblico), não vejo o criacionismo nem mesmo como uma teoria. Prefiro vê-lo como um modelo, uma vez que muitos postulados dentro do criacionismo não podem ser submetidos ao método científico (da mesma forma que os postulados do evolucionismo). Para exemplificar, lembremo-nos de dois “passos” importantes integrantes do método científico: observação e experimentação. Não podemos observar Deus criando a vida, nem se pode realizar um experimento em que, ao fim da análise dos dados obtidos, chegue-se à conclusão de que Deus existe ou não existe.

Acontece que muitos pontos dentro das teorias evolucionistas enfrentam a mesma dificuldade! Não é possível regredir no tempo e observar o surgimento espontâneo da vida, da mesma forma que não é possível reproduzir a extinção dos dinossauros. Alguns pontos no evolucionismo são reproduzíveis, apresentam uma modelagem matemática e é possível fazer boas previsões com eles, levando, assim, a uma boa teoria científica. Porém, esses pontos estão circunscritos àquele mesmo limite de variação mencionado anteriormente, limitando-se desde o taxon Espécie até, em alguns casos, ao taxon Ordem. Argumentações versando sobre modificações em taxa superiores (entre os taxa Ordem e Reino), na visão de um cientista criacionista, além de não se enquadrarem na definição de Popper, são extrapolações daqueles pontos situados no limite de variação citado acima. As teorias evolucionistas versando sobre essas modificações, a meu ver (e de muitos cientistas criacionistas), seriam mais bem definidas como modelo.

Aqui é importante ressaltar que, mesmo que algo não seja considerado “teoria científica”, continua sendo válido o debate e o confronto de ideias. Há vários exemplos de modelos que foram amplamente debatidos no passado e foram sendo aperfeiçoados até se tornarem boas teorias científicas. O contrário também é verdadeiro. Uma teoria já estabelecida precisa ser debatida, criticada e revista. Há vários exemplos de teorias que receberam o status de “científicas” e, após algum tempo, precisaram ser ampliadas ou mesmo reescritas. Um exemplo bem recente, ilustrativo desse tipo de situação, e que infelizmente foi divulgado em nosso país pela grande mídia, é o evento de julho de 2008 na cidade de Altenberg, na Áustria, quando estiveram reunidos 16 categorizados pesquisadores da área de Ciências Biológicas para propor uma “nova teoria evolutiva”. E o que chama bastante atenção nessa teoria é que ela não será selecionista! Em outras palavras, a nova teoria evolutiva não terá como um dos principais mecanismos propelentes da evolução das espécies a chamada “seleção natural”! Isso é muito importante para os estudantes de Ciências Biológicas, para os interessados na controvérsia entre criacionismo e evolucionismo e para o público em geral que tenha interesse em assuntos científicos.

Qual a relação entre Criacionismo e Design Inteligente?

Como mencionado anteriormente, o criacionismo (discorro sobre o criacionismo bíblico) utiliza conhecimento científico, buscando associá-lo à integridade do texto bíblico, visando à construção de um modelo coerente tanto com os fatos que ocorrem na natureza, transformados em conhecimento científico, quanto com o relato bíblico. Para o criacionista, a Bíblia e a natureza constituem revelações de (e sobre) Deus para o homem, e a ciência é o instrumento pelo qual buscamos conhecer a respeito da natureza criada por nosso Criador.

No tocante ao Design Inteligente (DI), questões referentes a qualquer tipo de expressão religiosa ou contida em qualquer escrito considerado sagrado são excluídas das argumentações de seus simpatizantes. O DI, ao contrário do criacionismo, reivindica o status de teoria científica, sendo que os propelentes desse movimento já publicaram trabalhos versando sobre o assunto em numerosos periódicos, ocasiões nas quais seus críticos logo buscaram refutar suas argumentações por meio de outras publicações. Os simpatizantes do DI, numa posição diferente daquela dos simpatizantes do criacionismo, almejam a inserção de suas teses nos currículos escolares de nível básico e universitários, levando o debate e as discussões para dentro da academia.

No tocante à origem da vida, os simpatizantes do DI argumentam que a mesma não é resultado apenas de causas naturais, mas da ação de uma entidade inteligente que interveio nos processos naturais. Esse agente inteligente, ao contrário do Deus venerado pelo criacionista bíblico, não é identificado nas teses do DI, uma vez que não é o seu objeto de estudo.

Contudo, nesses dois distintos conjuntos, há pontos de intersecção onde tem início uma relação, muito mal interpretada pela mídia. Alguns simpatizantes do DI acreditam e buscam servir ao mesmo Deus que os criacionistas. Porém, um número significativo dos propelentes desse movimento é constituído por agnósticos e mesmo ateus.

Dentro do modelo criacionista, algumas teses defendidas pelo DI são muito bem vistas e até utilizadas na construção do modelo, como, por exemplo, a ideia de complexidade irredutível (segundo a qual há estruturas biológicas que não poderiam ter evoluído de outras estruturas mais simples). Outras teses, no entanto, não são bem vistas, como, por exemplo, a argumentação em favor da panspermia (que defende a existência de “sementes de vida” espalhadas pelo Universo). Particularmente. tenho um bom relacionamento e um bom diálogo com alguns dos simpatizantes do DI, mas há criacionistas que são completamente contrários a esse tipo de aproximação, e vice-versa.

Quando a mídia descreve o DI como sendo criacionismo disfarçado, além de cometer grande desrespeito para com os integrantes de ambas as correntes, demonstra, pelo menos aos olhos dos familiarizados com a controvérsia entre criacionismo e evolucionismo, total ignorância em relação ao assunto. Ao repetir insistentemente esse tipo de raciocínio, fica evidente a total inércia dos repórteres em relação a fazer sua pesquisa antes de publicar algo sobre um assunto bastante amplo que conhecem apenas superficialmente, sendo quase sempre unilaterais em relação ao debate.

No início o senhor afirmou que há pontos da teoria de Darwin que são compatíveis com o criacionismo. Quais são esses pontos, e como fazer essa compatibilidade?

Darwin fez grandes contribuições ao mundo científico com suas observações, revolucionando complemente a forma de se estudar a natureza, após publicar seus trabalhos. Tendo eu formação em Ciências Biológicas, jamais poderia negar isso. O mesmo acontece com outros criacionistas que tiveram uma formação em ciências. Junte-se a esse fato a própria definição de criacionismo bíblico e ficará claro que, para que o criacionismo seja um bom modelo, precisa reconhecer que o evolucionismo é uma boa teoria!

Essa afirmação causa um certo desconforto aos simpatizantes do criacionismo que não tiveram formação em ciências. Mas um bom estudante, um bom pesquisador ou cientista que seja simpatizante do criacionismo aceita e entende o fato de que as espécies sofrem modificações ao longo do tempo, de acordo com o ambiente em que se encontram e em função de diversos outros fatores. Esses profissionais entendem e estudam as mutações e o poder de transformação que elas carregam, aceitam e estudam a seleção natural em suas pesquisas, trabalham com programas computacionais que lhes fornecem dados relativos à flutuação de um dado gene numa certa população, atuam na área de Química Orgânica e estudam as reações químicas necessárias para o desenvolvimento e manutenção da vida.

Todos esses pontos e alguns outros fazem parte da grande contribuição que Darwin deu ao mundo científico; todos eles são considerados e fazem parte do modelo criacionista. Os palestrantes da SCB deixam isso evidente no trabalho que vêm realizando em nosso país. Por isso, quando escritores desprovidos de conhecimento do que realmente é o modelo criacionista afirmam que as teses defendidas pelos simpatizantes do criacionismo vão contra o desenvolvimento de vacinas e antibióticos, ou mesmo contra o desenvolvimento científico, estão sendo desonestos e, permita-me dizer, jogando sujo!

No entanto, vários cientistas e pesquisadores simpatizantes do criacionismo, do DI ou mesmo evolucionistas enxergam problemas com a abrangência das teorias evolucionistas.

E quais são as principais falhas que o criacionismo aponta nas teorias de Darwin?

Apesar de ter contribuído de forma muito significativa com o conhecimento científico, as ideias desenvolvidas por Darwin eram, em sua grande maioria, restritas ao conhecimento que os biólogos tinham em seu tempo. Ao longo dos anos, novas tecnologias possibilitaram aos cientistas adquirir novos conhecimentos, como aconteceu com o advento dos microscópios de alta resolução, que permitiram um olhar muito mais preciso para as células que constituem os organismos vivos. Informações advindas de campos de estudos recentes, como a Bioquímica, a Genética e a Biologia Molecular, deixaram claro aos cientistas que a teoria da evolução, como proposta inicialmente por Darwin, carecia de ajustes. Em resposta a esse anseio surgiu o Neodarwinismo. Dessa forma, não apenas os simpatizantes do criacionismo têm feito críticas às teorias de Darwin.

Contudo, as teorias da evolução como são apresentadas hoje, aos olhos não apenas dos simpatizantes do criacionismo, mas também aos de muitos evolucionistas, ainda apresentam pontos que não são corroborados pelo conhecimento científico que temos. Apesar disso, esses pontos são propagados e ensinados em escolas de nível básico e universidades quase de forma doutrinária, tanto que alunos, professores e pesquisadores que façam críticas e considerações sobre esses pontos são literalmente ridicularizados!

Por exemplo, dentro das teorias evolucionistas ainda não há uma explicação satisfatória para a origem da vida. Independentemente da abordagem que seja feita, todas as explicações dadas apresentam inconsistências com aquilo que já é bem estabelecido na Química, na Estatística, na Teoria de Probabilidades, na Termodinâmica ou em muitos outros campos do conhecimento. Não há dúvida de que moléculas de RNA apresentam atividades catalíticas; ou que ácidos graxos originam micelas (estruturas que supostamente teriam originado as membranas celulares, como aceito por muitos pesquisadores) sob certas condições; ou ainda, que seja possível obter compostos orgânicos a partir de matéria orgânica. As falhas apontadas nessas abordagens, entretanto, vão além dessas questões já bem conhecidas. Não tenho como adentrar aqui em questões técnicas a esse respeito, mas qualquer estudante ou pesquisador interessado nesse campo de estudo e que se disponha a fazer uma pesquisa nas publicações sobre o assunto reconhecerá o que digo acima. Apesar disso, os livros didáticos que abordam esse assunto não mencionam esses pontos; muito pelo contrário, transmitem a ideia de que essa é uma dificuldade superada pelas teorias evolucionistas. Dada a superficialidade com que a origem da vida é tratada nesses livros, aliada ao desinteresse por parte dos acadêmicos em se aprofundar mais nessa questão, os mesmos são facilmente convencidos dessa “verdade”.

Além disso, tempo é um fator fundamental para que as teorias evolucionistas façam algum sentido, uma vez que os dados de que dispomos sobre mudanças que observamos em organismos com ciclo de desenvolvimento muito rápido (como as bactérias) somente serão coerentes quando extrapolados para organismos pluricelulares, supondo períodos de tempo demasiadamente longos. Corroborando essas suposições, idades obtidas a partir de datações radiométricas são apresentadas como “prova irrefutável” da longa história do desenvolvimento da vida em nosso planeta. Também é constantemente veiculado pelos meios de comunicação, divulgado em livros e periódicos e apresentado como fato nas aulas de Ciências que as datações radiométricas são inquestionáveis, não havendo nenhum real problema com os pressupostos assumidos para que o método funcione. Mas qualquer análise das publicações a esse respeito constatará que há sérios questionamentos de eminentes cientistas com relação aos pressupostos mencionados acima! Como exemplo, posso garantir que há uma quantidade significativa de trabalhos questionando a constância da taxa de decaimento radioativo de alguns elementos químicos, levando em conta a influência do entorno químico nas taxas de decaimento, a influência da profundidade, da pressão e da temperatura nas taxas de desintegração de diversos isótopos radioativos, dentre outros itens. Esses fatos deveriam alertar as pessoas para terem cautela diante de um assunto relativamente recente como a datação radiométrica.

Mencionei anteriormente que o criacionismo e alguns pontos dentro das teorias da evolução apresentam compatibilidade. Essa intersecção abrange aquilo que realmente é comprovado, ou seja, mudanças (variações) abrangendo do taxon Espécie ao taxon Ordem. Argumentos em favor de mudanças ao nível de taxa superiores a Ordem (saltos evolutivos) são extrapolações daquilo que é possível verificar no estudo da natureza. Essas questões conduzem ao estudo de diferentes campos do conhecimento, dentre eles o do registro fóssil, no qual há uma gama de questões não esclarecidas, dados mal interpretados e incertezas propagadas e divulgadas como verdadeiramente compreendidas. Para exemplificar, vários artigos questionam os princípios da estratificação e da sedimentologia, os quais são fundamentais para a crença na qual, numa dada formação geológica, as rochas inferiores teriam sido formadas primeiro, sendo assim mais antigas que as rochas superiores.

É frequentemente divulgado pela mídia e “pregado” por muitos professores nas universidades que os simpatizantes do criacionismo atribuem todas as coisas aparentemente inexplicáveis à ação de Deus ou qualquer outra entidade sobrenatural, sendo contra qualquer tipo de pesquisa que busque uma explicação natural para os fatos. Isso consiste numa grande inverdade e uma enorme desonestidade, uma vez que, além de não darem oportunidade para contra-argumentação, “implantam” na mente dos estudantes uma visão totalmente distorcida do criacionismo.

Sem dúvida alguma, atribuímos a Deus toda a criação e complexidade observada no Universo e nos seres vivos. Contudo, investigar a natureza e fazer ciência é uma instrução deixada pelo próprio Deus a todos os seres dotados de inteligência. Ao observar um fato que aparentemente se oponha às teses que se acredita estarem corretas, um pesquisador criacionista simplesmente não fecha os olhos ou procura distorcer os fatos para “encaixar” a realidade em sua visão de mundo. Uma prova disso é que temos grandes cientistas criacionistas em importantes universidades no Brasil e no mundo.

Como ilustração há a seguinte situação: nas teorias da evolução o oxigênio teria surgido na Terra em um tempo consideravelmente tardio, após o surgimento do primeiro organismo vivo. No modelo criacionista, a vida teria surgido num ambiente já rico em oxigênio. Uma análise das rochas classificadas como pré-cambrianas e datadas como as mais antigas do planeta indica a presença de íons ferrosos (menor estado de oxidação para esse elemento), ao passo que rochas datadas como sendo mais recentes apresentam um conteúdo significativo de íons férricos (maior estado de oxidação para o ferro). Esses fatos, a princípio, corroboram as teorias evolucionistas e não o modelo criacionista. Um estudante de ciências ou um cientista criacionista jamais ignoraria esse fato, mas buscaria estudá-lo, buscaria respostas na natureza (utilizando também a Bíblia como fonte de informação) e, por fim, como qualquer pesquisador faz em seus modelos, poderia sustentá-lo ou modificá-lo, conforme os resultados obtidos em seu estudo. Criacionistas que atuam no meio científico não são menos curiosos que cientistas evolucionistas (ou vice-versa), como fica evidente na contribuição dada por criacionistas para o desenvolvimento da ciência até o patamar em que a encontramos hoje.

Como o criacionismo avalia a teoria do Big Bang?

Mesmo entre cientistas evolucionistas a teoria de uma grande explosão inicial é muito discutida, contestada e ainda não há um consenso sobre o assunto. A teoria do Big Bang é muito controversa também entre os simpatizantes do criacionismo. Alguns físicos criacionistas que atuam na área de Cosmologia associam essa teoria à criação feita por Deus de modo muito defensável, o que, entretanto, deixa alguns criacionistas que não têm formação nessa área um tanto quanto indecisos.

Em um domingo de dezembro [de 2008], o caderno Aliás, de O Estado de S. Paulo, trouxe uma matéria sobre o criacionismo na escola e uma legenda de foto afirmava que, para os criacionistas, homens conviveram com dinossauros. Isso é verdade?

Esse tipo de afirmação reflete a ignorância (ou a tentativa de denegrir a imagem dos simpatizantes do modelo criacionista) por parte de muitos articulistas quanto ao que é criacionismo e quais as teses propostas por esse modelo. Todos os criacionistas que estudaram ciências também estudaram as teorias evolucionistas, as quais afirmam que o ser humano e os dinossauros viveram em épocas diferentes. Porém, esse é um ponto que não pertence àquela intersecção entre as ideias evolucionistas e o criacionismo.

A ideia de que grandes répteis e o ser humano viveram em épocas distintas tem origem em diversos fatos. Por exemplo, as idades (fornecidas pelas datações radiométricas) das rochas contendo fósseis de dinossauros são muito mais antigas que as idades das rochas contendo fósseis humanos; e, também, fósseis de dinossauros sempre são encontrados em camadas sedimentares inferiores (mais abaixo) em relação às camadas sedimentares (mais acima) nas quais são encontrados fósseis de seres humanos.

Acontece que, conforme mencionado anteriormente, há uma quantidade significativa de trabalhos versando sobre diversos problemas existentes com os pressupostos necessariamente assumidos para que os métodos de datação radiométrica indiquem realmente idades cronológicas e não “idades radioativas”. Em função disso, os valores obtidos por meio dos diversos métodos de datação radiométrica, no modelo criacionista, indicam apenas uma relação entre elementos pais e filhos, não sendo interpretados por seus simpatizantes necessariamente como idades cronológicas. Além disso, como também mencionado acima, há vários trabalhos contestando as ideias de que, numa dada formação geológica, as rochas inferiores seriam sempre mais antigas que as rochas superiores. Essas informações, associadas a outras advindas de diversas áreas do conhecimento, permitem que os simpatizantes do modelo criacionista construam um modelo diferente daquele que é convencionalmente ensinado como verdade inquestionável nas escolas e universidades. Esse modelo, no entanto, apresenta suas falhas e precisa ser melhorado como qualquer outro modelo construído no âmbito científico.

Não obstante, há vários fatos observáveis que apoiam a ideia de que seres humanos e dinossauros foram contemporâneos, conforme o relato bíblico nos informa. Se a expressão “conviveram” na referida matéria transmite a ideia de contemporaneidade, eles acertaram nesse aspecto; contudo, dentro do modelo criacionista propomos que dinossauros e homens foram contemporâneos, mas habitavam diferentes ecossistemas, de modo que, naquele período, deveria haver um zoneamento ecológico que inviabilizaria qualquer contato entre ambos que, por exemplo, pudesse lembrar o estilo de vida dos Flintstones. A disposição de fósseis nas rochas sedimentares é um fato inquestionável. Considerar que dinossauros e seres humanos eram ou não contemporâneos é uma interpretação daquele fato. O que se deve fazer é verificar se as informações disponíveis e o conhecimento que temos, advindo das diversas áreas acadêmicas, sustentam esta ou aquela interpretação.

Diferentemente daquilo que vem sendo amplamente difundido pela mídia em geral, os simpatizantes do modelo criacionista não são pessoas ignorantes, desprovidas de conhecimento científico e que fecham os olhos para as últimas descobertas científicas. O modelo criacionista foi e está sendo construído por estudantes, professores, pesquisadores e cientistas atuando em diferentes áreas do conhecimento.

Diante das inconsistências apontadas pelo senhor na teoria evolucionista, o criacionismo também deveria ter espaço nas escolas?

Conhecedores da laicidade de nosso Estado, os simpatizantes do criacionismo bíblico que estejam realmente familiarizados com a questão não argumentam em favor da inserção do criacionismo nos currículos escolares e universitários nas escolas públicas, uma vez que, como discorrido acima, o criacionismo não é uma teoria científica e está associado ao conhecimento religioso.

A SCB, por meio de seu presidente, também se manifesta totalmente contra o ensino do criacionismo nas escolas e universidades públicas. Além da questão da laicidade do Estado, temos a escassez de profissionais devidamente versados em criacionismo bíblico advindos de nossas universidades, pois todos os cursos universitários apresentam em sua grade curricular propostas para o ensino apenas das teses evolucionistas. Consequentemente, não há formação de profissionais devidamente conhecedores do modelo criacionista e muito menos aptos a defender suas teses.

Não existe interesse, ao contrário do que é divulgado pela mídia, de que as teses defendidas pelo modelo criacionista substituam a teoria da evolução ensinada nas escolas e universidades; isso é absurdo! Obviamente, não há nenhuma oposição ao ensino do modelo criacionista em escolas que se denominam confessionais, uma vez que há abertura constitucional para isso. Mas as teorias de evolução também devem ser ensinadas.

A caixa preta de Darwin

Michael J. Behe nasceu em 1952 e cresceu em Harrisburg, Pennsylvania. Bacharelou-se em Química, em 1974, pela Universidade Drexel, em Philadelphia. Fez pós-graduação em Bioquímica, na Universidade da Pennsylvania, e obteve seu doutorado em 1978, sendo o tema de sua tese a anemia falsiforme. De 1978 a 1982 fez pós-doutorado sobre a estrutura do DNA, no National Institute of Health. Entre 1982 e 1985 foi professor assistente de Química no Queens College, na cidade de Nova Iorque. Em 1985 mudou-se para a Universidade Lehigh, onde atualmente é professor de Bioquímica.

Em sua carreira profissional escreveu mais de 40 artigos técnicos e um livro, Darwin’s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (publicado no Brasil pela Jorge Zahar, com o título A Caixa Preta de Darwin), no qual argumenta que os sistemas vivos, em nível molecular, são melhor explicados como sendo o resultado de planejamento inteligente. Esse livro foi resenhado por mais de uma centena de periódicos, entre eles: The New York Times, Nature, Philosophy of Science e Christianity Today. Atualmente, o Dr. Behe e sua esposa residem nas proximidades de Bethlehem, Pennsylvania, com seus oito filhos.

Nesta entrevista, concedida a Michelson Borges, Behe fala sobre suas idéias e explica por que abraçou a teoria do Design Inteligente.

Em seu livro A Caixa Preta de Darwin o senhor descreve os sistemas de complexidade irredutível. O que são eles?

Sistemas de complexidade irredutível são aqueles que necessitam de partes múltiplas para funcionarem; se uma parte é removida, o sistema não funciona mais.

Para Darwin e seus contemporâneos do século 19, a célula, por exemplo, era uma “caixa preta”. Era simplesmente muito pequena, e a ciência daquela época não dispunha de ferramentas para investigá-la. Os microscópios daquele tempo eram bem rudimentares e as pessoas podiam ver só os contornos da célula. Assim, muitos cientistas pensavam que a célula era bastante simples, como um pedacinho de gelatina microscópica.

A partir daquela época, a ciência tem mostrado que a célula é um sistema extremamente complexo, que contém proteínas, ácidos nucléicos e diversos tipos de “máquinas miniaturizadas”. No meu livro eu examino várias dessas “máquinas” e argumento que a seleção natural darwiniana não pode tê-las produzido justamente por causa do problema da complexidade irredutível.

Acredito que tais sistemas são melhor explicados como o resultado de um deliberado planejamento inteligente. E eu cheguei a essa conclusão por um tipo de argumento lógico indutivo: sempre que vemos tais sistemas no mundo real, no mundo macroscópico de nossa vida cotidiana, concluímos naturalmente que eles foram, de fato, projetados. Ninguém se depara com uma ratoeira e se pergunta se foi projetada ou não.

Essa é uma das analogias usadas em seu livro. Explique melhor que relação o senhor estabelece entre uma ratoeira e os sistemas bioquímicos.

Certo. Suponhamos que queiramos fabricar uma ratoeira. Na garagem, podemos ter uma tábua de madeira velha (para a plataforma ou base), a mola de um velho relógio de corda, uma peça de metal (para servir como martelo) na forma de uma alavanca, uma agulha de cerzir para segurar a barra, e uma tampinha metálica de garrafa, que julgamos poder usar como trava. Essas peças, no entanto, não poderiam formar uma ratoeira funcional sem modificações excessivas e, enquanto elas estivessem sendo feitas, as partes não poderiam funcionar como ratoeira. Suas funções anteriores as teriam tornado impróprias para quase qualquer novo papel como parte de um sistema complexo.

Assim, para que a ratoeira exista e funcione, é preciso que todas as suas partes funcionem perfeitamente, da mesma forma como deve ocorrer com os sistemas bioquímicos. Nada pode faltar e, por isso, não podem ter evoluído em etapas sucessivas.

Poderia mencionar alguns desses sistemas irredutivelmente complexos?

Os sistemas de complexidade biológica irredutível incluem o flagelo bacteriano, que é literalmente um motor externo que algumas bactérias usam para nadar: tem hélice, eixo acionador, motor, uma parte fixa, um mancal e outras partes mais. Outro exemplo é o sistema de transporte intracelular, que é um sistema de “rodovias”, “sinais de trânsito” e “vagões moleculares” que transportam carga por toda a célula.

Por contestar o paradigma evolutivo, seu livro tem causado bastante polêmica nos meios científicos. O senhor já previa isso? Quais foram os principais tipos de contestação?

Com certeza, eu previa que meu livro causaria controvérsia. Os darwinistas têm replicado dizendo, principalmente, que explicarão os sistemas moleculares no futuro, talvez dentro de dez ou vinte anos. Para dizer o mínimo, sou bastante cético quanto a essa pretensão.

A primeira reação da maioria dos críticos é dizer: “Isso é apenas criacionismo levemente disfarçado.” E em resenhas escritas por cientistas eles falam freqüentemente sobre os primeiros capítulos de Gênesis e do “Julgamento da Criação”, de Arkansas, nenhum dos quais eu menciono no livro. Assim, eles tentam condenar meu trabalho através do processo de associação. Eles também não vêem que há uma distinção entre chegar a uma conclusão simplesmente pela observação do mundo físico, como se espera que um cientista faça, e chegar a uma conclusão baseado na Bíblia ou em convicções religiosas.

Que influência o livro de Michael Denton (Evolution: A Theory in Crisis) teve em sua mudança de pensamento em relação ao evolucionismo?

O livro de Michael Denton foi muito importante para o meu ponto de vista. Ele foi o primeiro cientista, dos que eu li, que questionava a evolução baseado estritamente na ciência. Era algo novo para mim e me mostrou que havia muitos problemas inexplicáveis no Darwinismo.

A partir de então, procurei por pesquisas que pudessem dizer como os sistemas bioquímicos foram gradualmente produzidos durante a evolução. Descobri rapidamente que tais documentos não existiam. Assim, com o passar do tempo, percebi que, de fato, esses sistemas só poderiam ser o resultado de um planejamento inteligente.

Estive isolado durante algum tempo. Então li o livro Darwin on Trial, de Phillip Johnson, e gostei bastante. Vi num número da revista Science que havia uma resenha do livro de Johnson. Eu fiquei muito entusiasmado e pensei: “Isso é demais! Eles terão que discutir alguns desses assuntos, e verei o que eles têm a dizer sobre isso.” Mas quando li mais detidamente o texto, percebi que não era uma resenha, era simplesmente uma advertência dizendo: “Este livro é antievolucionista. Advirta seus estudantes, pois ele está confundindo o público.” Fiquei bastante desapontado, pois eles não discutiam o conteúdo do livro. Não era nem mesmo uma refutação. Pensei: não é assim que a ciência deve ser.

Escrevi uma carta ao editor de Science, mostrando que eles deveriam discutir os assuntos envolvidos, e não apenas rejeitá-los. Science publicou minha carta, Johnson a viu e me escreveu. Foi assim que nós começamos a nos corresponder. Desde então tenho sido convidado a algumas reuniões nas quais ele está envolvido, e essa é a maneira como eu me envolvi nessa comunidade de pessoas interessadas no assunto Intelligent Design.

No que seu livro difere de outros sobre evolucionismo?

O argumento a favor da evolução é melhor resumido no livro O Relojoeiro Cego, de Richard Dawkins. É uma leitura fascinante, e é interessante notar como Dawkins e Denton usam exemplos semelhantes, mas chegam a conclusões completamente diferentes. Denton usa uma analogia com o idioma inglês dizendo que frases são difíceis de se criar. Dawkins tem uma seção onde ele usa um computador para gerar uma frase, tentando mostrar com isso que a evolução é fácil. Eu percebi que esses livros discutiam o problema num nível muito básico, não apenas em relação à ciência, mas ao conhecimento em geral. Quer dizer, como você sabe algo? Como você apóia uma teoria com evidência? E quais extrapolações são legítimas? Em meu livro, procurei aprofundar a questão.

Por que, na sua opinião, movimentos como o Design Inteligente têm crescido tanto?

Porque o Design Inteligente incorpora o ceticismo que muitas pessoas têm acerca do Darwinismo, e desafia a evolução em seu próprio território, como uma teoria científica.

Como sua mudança de foco, no que concerne à evolução bioquímica, afetou sua forma de lecionar?

Não afetou muito minha forma de lecionar, exceto pelo fato de que eu mostro aos alunos a natureza intrincada dos sistemas bioquímicos e saliento que ninguém demonstrou como eles podem ser produzidos através de processos aleatórios.

No fim de 1980, a Universidade Lehigh decidiu desenvolver um programa de seminários para calouros. São cursos que têm o objetivo de fazer os novatos ficarem entusiasmados com a carreira que escolheram. Assim, a administração estava procurando voluntários que sugerissem cursos. Eu criei um curso que chamei de “Argumentos populares sobre evolução”, no qual lemos Denton e Dawkins. Esse curso tem sido muito popular entre os estudantes. A maioria deles entra para a universidade acreditando na teoria da evolução, mas muitos deles, quando terminam o curso, dizem que, embora ainda acreditem na evolução, agora vêem o assunto como muito mais complexo e problemático. Como professor é meu objetivo fazê-los pensar por si mesmos e não simplesmente confiar no que as pessoas dizem, como eu fiz uma vez.

Pode-se aceitar a teoria do Design Inteligente como puramente científica, sem apelar para a religião?

Sim, o Design Inteligente pode ser uma teoria puramente científica, porque está totalmente baseada em evidência física – a estrutura de sistemas celulares. Não se baseia em argumentos filosóficos, teológicos ou bíblicos, mas em evidência física.

Uma analogia que eu gosto de traçar é com a Física: muitos físicos estavam infelizes com a idéia do Big Bang porque parecia ter implicações teológicas óbvias. Todavia, os físicos a aceitaram como uma teoria científica legítima e trabalharam sobre ela. Eu vejo o Design Inteligente do mesmo modo: pode ter implicações religiosas mas é uma teoria científica clara baseada apenas em observações de sistemas bioquímicos, e nós deveríamos aceitá-la e trabalhar a partir dela.

O senhor fez diversas pesquisas em publicações de divulgação científica como o Journal of Molecular Evolution, em busca de explicações para os mecanismos da evolução biológica. O que concluiu?

As publicações científicas não apresentam detalhes, modelos testáveis, nem evidências experimentais mostrando que os processos darwinianos poderiam desenvolver sistemas de complexidade irredutível. Concluo que a evidência está faltando porque sistemas complexos não podem ser desenvolvidos por forças aleatórias.

O Journal of Molecular Evolution tem aproximadamente 25 anos e publicou mais de mil artigos desde sua primeira edição. Essa revista publica muitos artigos sobre comparações de seqüências de moléculas de proteínas, DNA e outras, na tentativa de determinar uma ancestralidade comum. Assim, organismos que possuíssem seqüências semelhantes de aminoácidos em uma determinada proteína, por exemplo, seriam descendentes de um ancestral comum. Isso pode ser interessante, e pode ser uma questão legítima, mas comparar seqüências simplesmente não lhe diz nada sobre como essas complexas máquinas moleculares surgiram. Assim, durante os seus 25 anos de existência, o Journal of Molecular Evolution evitou completamente a questão de como esses sistemas extremamente complexos poderiam ter surgido.

Lamentavelmente, a maioria dos cientistas ignora completamente a evolução no seu funcionamento, e aqueles que pensam no assunto simplesmente procuram por associações e não se preocupam com o Darwinismo em si. Extraordinariamente, isso tem muito pouco a ver com o trabalho cotidiano da ciência e serve basicamente como um suporte filosófico que, na minha opinião, está apenas inibindo a verdadeira pesquisa sobre como a vida se desenvolveu.

Já que a ciência procura se caracterizar pela busca da verdade, por que é tão difícil, por exemplo, publicar um artigo com opinião discordante do evolucionismo?

Apesar da imagem popular, os cientistas são pessoas normais, com seus próprios preconceitos. Se alguém pretende desafiar uma crença profundamente defendida, pode esperar resistência.

Em entrevista concedida a uma revista brasileira de divulgação científica, a professora de história da ciência da Universidade da Flórida, Vassiliki Betty Smocovitis, disse, referindo-se aos criacionistas, que eles são “especialistas autoproclamados”, sem credenciais científicas. O que o senhor pensa a respeito?

Alguns criacionistas não têm credenciais, mas outros têm. Os que têm credenciais incontestáveis têm chamado a atenção para muitos problemas sérios no Darwinismo, os quais não se pode honestamente descartar.

O senhor vislumbra algum tipo de mudança de paradigma no futuro? Quem deverá mudar mais: a igreja ou a ciência?

A ciência muda à medida que mudam os dados, embora leve tempo. Acredito que a ciência acabará se voltando ao Design Inteligente, pois é nessa direção que os dados apontam. Ao contrário da ciência, a essência da religião não muda.

Vários cientistas, como o zoólogo adventista Dr. Ariel Roth, defendem uma integração entre fé e ciência. Como cientista cristão, o senhor acha possível conciliar a visão científica com a religiosa?

Acredito que por fim a ciência e a religião convergirão para a mesma verdade, pois só existe uma verdade.

O que a Teologia tem a oferecer à ciência na busca da verdade?

A Teologia pode mostrar à ciência que existe algo mais além da matéria e do movimento, que o mundo é mais complicado do que muitos cientistas crêem. A Teologia também pode salvaguardar a ciência do orgulho que acompanha a tentativa de explicar todas as coisas.

Michael J. Behe nasceu em 1952 e cresceu em Harrisburg, Pennsylvania. Bacharelou-se em Química, em 1974, pela Universidade Drexel, em Philadelphia. Fez pós-graduação em Bioquímica, na Universidade da Pennsylvania, e obteve seu doutorado em 1978, sendo o tema de sua tese a anemia falsiforme. De 1978 a 1982 fez pós-doutorado sobre a estrutura do DNA, no National Institute of Health. Entre 1982 e 1985 foi professor assistente de Química no Queens College, na cidade de Nova Iorque. Em 1985 mudou-se para a Universidade Lehigh, onde atualmente é professor de Bioquímica.

Em sua carreira profissional escreveu mais de 40 artigos técnicos e um livro, Darwin’s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (publicado no Brasil pela Jorge Zahar, com o título A Caixa Preta de Darwin), no qual argumenta que os sistemas vivos, em nível molecular, são melhor explicados como sendo o resultado de planejamento inteligente. Esse livro foi resenhado por mais de uma centena de periódicos, entre eles: The New York Times, Nature, Philosophy of Science e Christianity Today. Atualmente, o Dr. Behe e sua esposa residem nas proximidades de Bethlehem, Pennsylvania, com seus oito filhos.

Nesta entrevista, concedida a Michelson Borges, Behe fala sobre suas idéias e explica por que abraçou a teoria do Design Inteligente.

Em seu livro A Caixa Preta de Darwin o senhor descreve os sistemas de complexidade irredutível. O que são eles?

Sistemas de complexidade irredutível são aqueles que necessitam de partes múltiplas para funcionarem; se uma parte é removida, o sistema não funciona mais.

Para Darwin e seus contemporâneos do século 19, a célula, por exemplo, era uma “caixa preta”. Era simplesmente muito pequena, e a ciência daquela época não dispunha de ferramentas para investigá-la. Os microscópios daquele tempo eram bem rudimentares e as pessoas podiam ver só os contornos da célula. Assim, muitos cientistas pensavam que a célula era bastante simples, como um pedacinho de gelatina microscópica.

A partir daquela época, a ciência tem mostrado que a célula é um sistema extremamente complexo, que contém proteínas, ácidos nucléicos e diversos tipos de “máquinas miniaturizadas”. No meu livro eu examino várias dessas “máquinas” e argumento que a seleção natural darwiniana não pode tê-las produzido justamente por causa do problema da complexidade irredutível.

Acredito que tais sistemas são melhor explicados como o resultado de um deliberado planejamento inteligente. E eu cheguei a essa conclusão por um tipo de argumento lógico indutivo: sempre que vemos tais sistemas no mundo real, no mundo macroscópico de nossa vida cotidiana, concluímos naturalmente que eles foram, de fato, projetados. Ninguém se depara com uma ratoeira e se pergunta se foi projetada ou não.

Essa é uma das analogias usadas em seu livro. Explique melhor que relação o senhor estabelece entre uma ratoeira e os sistemas bioquímicos.

Certo. Suponhamos que queiramos fabricar uma ratoeira. Na garagem, podemos ter uma tábua de madeira velha (para a plataforma ou base), a mola de um velho relógio de corda, uma peça de metal (para servir como martelo) na forma de uma alavanca, uma agulha de cerzir para segurar a barra, e uma tampinha metálica de garrafa, que julgamos poder usar como trava. Essas peças, no entanto, não poderiam formar uma ratoeira funcional sem modificações excessivas e, enquanto elas estivessem sendo feitas, as partes não poderiam funcionar como ratoeira. Suas funções anteriores as teriam tornado impróprias para quase qualquer novo papel como parte de um sistema complexo.

Assim, para que a ratoeira exista e funcione, é preciso que todas as suas partes funcionem perfeitamente, da mesma forma como deve ocorrer com os sistemas bioquímicos. Nada pode faltar e, por isso, não podem ter evoluído em etapas sucessivas.

Poderia mencionar alguns desses sistemas irredutivelmente complexos?

Os sistemas de complexidade biológica irredutível incluem o flagelo bacteriano, que é literalmente um motor externo que algumas bactérias usam para nadar: tem hélice, eixo acionador, motor, uma parte fixa, um mancal e outras partes mais. Outro exemplo é o sistema de transporte intracelular, que é um sistema de “rodovias”, “sinais de trânsito” e “vagões moleculares” que transportam carga por toda a célula.

Por contestar o paradigma evolutivo, seu livro tem causado bastante polêmica nos meios científicos. O senhor já previa isso? Quais foram os principais tipos de contestação?

Com certeza, eu previa que meu livro causaria controvérsia. Os darwinistas têm replicado dizendo, principalmente, que explicarão os sistemas moleculares no futuro, talvez dentro de dez ou vinte anos. Para dizer o mínimo, sou bastante cético quanto a essa pretensão.

A primeira reação da maioria dos críticos é dizer: “Isso é apenas criacionismo levemente disfarçado.” E em resenhas escritas por cientistas eles falam freqüentemente sobre os primeiros capítulos de Gênesis e do “Julgamento da Criação”, de Arkansas, nenhum dos quais eu menciono no livro. Assim, eles tentam condenar meu trabalho através do processo de associação. Eles também não vêem que há uma distinção entre chegar a uma conclusão simplesmente pela observação do mundo físico, como se espera que um cientista faça, e chegar a uma conclusão baseado na Bíblia ou em convicções religiosas.

Que influência o livro de Michael Denton (Evolution: A Theory in Crisis) teve em sua mudança de pensamento em relação ao evolucionismo?

O livro de Michael Denton foi muito importante para o meu ponto de vista. Ele foi o primeiro cientista, dos que eu li, que questionava a evolução baseado estritamente na ciência. Era algo novo para mim e me mostrou que havia muitos problemas inexplicáveis no Darwinismo.

A partir de então, procurei por pesquisas que pudessem dizer como os sistemas bioquímicos foram gradualmente produzidos durante a evolução. Descobri rapidamente que tais documentos não existiam. Assim, com o passar do tempo, percebi que, de fato, esses sistemas só poderiam ser o resultado de um planejamento inteligente.

Estive isolado durante algum tempo. Então li o livro Darwin on Trial, de Phillip Johnson, e gostei bastante. Vi num número da revista Science que havia uma resenha do livro de Johnson. Eu fiquei muito entusiasmado e pensei: “Isso é demais! Eles terão que discutir alguns desses assuntos, e verei o que eles têm a dizer sobre isso.” Mas quando li mais detidamente o texto, percebi que não era uma resenha, era simplesmente uma advertência dizendo: “Este livro é antievolucionista. Advirta seus estudantes, pois ele está confundindo o público.” Fiquei bastante desapontado, pois eles não discutiam o conteúdo do livro. Não era nem mesmo uma refutação. Pensei: não é assim que a ciência deve ser.

Escrevi uma carta ao editor de Science, mostrando que eles deveriam discutir os assuntos envolvidos, e não apenas rejeitá-los. Science publicou minha carta, Johnson a viu e me escreveu. Foi assim que nós começamos a nos corresponder. Desde então tenho sido convidado a algumas reuniões nas quais ele está envolvido, e essa é a maneira como eu me envolvi nessa comunidade de pessoas interessadas no assunto Intelligent Design.

No que seu livro difere de outros sobre evolucionismo?

O argumento a favor da evolução é melhor resumido no livro O Relojoeiro Cego, de Richard Dawkins. É uma leitura fascinante, e é interessante notar como Dawkins e Denton usam exemplos semelhantes, mas chegam a conclusões completamente diferentes. Denton usa uma analogia com o idioma inglês dizendo que frases são difíceis de se criar. Dawkins tem uma seção onde ele usa um computador para gerar uma frase, tentando mostrar com isso que a evolução é fácil. Eu percebi que esses livros discutiam o problema num nível muito básico, não apenas em relação à ciência, mas ao conhecimento em geral. Quer dizer, como você sabe algo? Como você apóia uma teoria com evidência? E quais extrapolações são legítimas? Em meu livro, procurei aprofundar a questão.

Por que, na sua opinião, movimentos como o Design Inteligente têm crescido tanto?

Porque o Design Inteligente incorpora o ceticismo que muitas pessoas têm acerca do Darwinismo, e desafia a evolução em seu próprio território, como uma teoria científica.

Como sua mudança de foco, no que concerne à evolução bioquímica, afetou sua forma de lecionar?

Não afetou muito minha forma de lecionar, exceto pelo fato de que eu mostro aos alunos a natureza intrincada dos sistemas bioquímicos e saliento que ninguém demonstrou como eles podem ser produzidos através de processos aleatórios.

No fim de 1980, a Universidade Lehigh decidiu desenvolver um programa de seminários para calouros. São cursos que têm o objetivo de fazer os novatos ficarem entusiasmados com a carreira que escolheram. Assim, a administração estava procurando voluntários que sugerissem cursos. Eu criei um curso que chamei de “Argumentos populares sobre evolução”, no qual lemos Denton e Dawkins. Esse curso tem sido muito popular entre os estudantes. A maioria deles entra para a universidade acreditando na teoria da evolução, mas muitos deles, quando terminam o curso, dizem que, embora ainda acreditem na evolução, agora vêem o assunto como muito mais complexo e problemático. Como professor é meu objetivo fazê-los pensar por si mesmos e não simplesmente confiar no que as pessoas dizem, como eu fiz uma vez.

Pode-se aceitar a teoria do Design Inteligente como puramente científica, sem apelar para a religião?

Sim, o Design Inteligente pode ser uma teoria puramente científica, porque está totalmente baseada em evidência física – a estrutura de sistemas celulares. Não se baseia em argumentos filosóficos, teológicos ou bíblicos, mas em evidência física.

Uma analogia que eu gosto de traçar é com a Física: muitos físicos estavam infelizes com a idéia do Big Bang porque parecia ter implicações teológicas óbvias. Todavia, os físicos a aceitaram como uma teoria científica legítima e trabalharam sobre ela. Eu vejo o Design Inteligente do mesmo modo: pode ter implicações religiosas mas é uma teoria científica clara baseada apenas em observações de sistemas bioquímicos, e nós deveríamos aceitá-la e trabalhar a partir dela.

O senhor fez diversas pesquisas em publicações de divulgação científica como o Journal of Molecular Evolution, em busca de explicações para os mecanismos da evolução biológica. O que concluiu?

As publicações científicas não apresentam detalhes, modelos testáveis, nem evidências experimentais mostrando que os processos darwinianos poderiam desenvolver sistemas de complexidade irredutível. Concluo que a evidência está faltando porque sistemas complexos não podem ser desenvolvidos por forças aleatórias.

O Journal of Molecular Evolution tem aproximadamente 25 anos e publicou mais de mil artigos desde sua primeira edição. Essa revista publica muitos artigos sobre comparações de seqüências de moléculas de proteínas, DNA e outras, na tentativa de determinar uma ancestralidade comum. Assim, organismos que possuíssem seqüências semelhantes de aminoácidos em uma determinada proteína, por exemplo, seriam descendentes de um ancestral comum. Isso pode ser interessante, e pode ser uma questão legítima, mas comparar seqüências simplesmente não lhe diz nada sobre como essas complexas máquinas moleculares surgiram. Assim, durante os seus 25 anos de existência, o Journal of Molecular Evolution evitou completamente a questão de como esses sistemas extremamente complexos poderiam ter surgido.

Lamentavelmente, a maioria dos cientistas ignora completamente a evolução no seu funcionamento, e aqueles que pensam no assunto simplesmente procuram por associações e não se preocupam com o Darwinismo em si. Extraordinariamente, isso tem muito pouco a ver com o trabalho cotidiano da ciência e serve basicamente como um suporte filosófico que, na minha opinião, está apenas inibindo a verdadeira pesquisa sobre como a vida se desenvolveu.

Já que a ciência procura se caracterizar pela busca da verdade, por que é tão difícil, por exemplo, publicar um artigo com opinião discordante do evolucionismo?

Apesar da imagem popular, os cientistas são pessoas normais, com seus próprios preconceitos. Se alguém pretende desafiar uma crença profundamente defendida, pode esperar resistência.

Em entrevista concedida a uma revista brasileira de divulgação científica, a professora de história da ciência da Universidade da Flórida, Vassiliki Betty Smocovitis, disse, referindo-se aos criacionistas, que eles são “especialistas autoproclamados”, sem credenciais científicas. O que o senhor pensa a respeito?

Alguns criacionistas não têm credenciais, mas outros têm. Os que têm credenciais incontestáveis têm chamado a atenção para muitos problemas sérios no Darwinismo, os quais não se pode honestamente descartar.

O senhor vislumbra algum tipo de mudança de paradigma no futuro? Quem deverá mudar mais: a igreja ou a ciência?

A ciência muda à medida que mudam os dados, embora leve tempo. Acredito que a ciência acabará se voltando ao Design Inteligente, pois é nessa direção que os dados apontam. Ao contrário da ciência, a essência da religião não muda.

Vários cientistas, como o zoólogo adventista Dr. Ariel Roth, defendem uma integração entre fé e ciência. Como cientista cristão, o senhor acha possível conciliar a visão científica com a religiosa?

Acredito que por fim a ciência e a religião convergirão para a mesma verdade, pois só existe uma verdade.

O que a Teologia tem a oferecer à ciência na busca da verdade?

A Teologia pode mostrar à ciência que existe algo mais além da matéria e do movimento, que o mundo é mais complicado do que muitos cientistas crêem. A Teologia também pode salvaguardar a ciência do orgulho que acompanha a tentativa de explicar todas as coisas.