Um estudo inédito realizado pelo Departamento de Psicobiologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) revelou que a ancestralidade genética é um fator importante que pode determinar se uma pessoa, independentemente da sua faixa etária ou do tipo de vida que leva, terá maior risco de desenvolver apneia,um distúrbio respiratório associado ao sono.
Os pesquisadores analisaram 1.042 brasileiros de diferentes grupos étnicos e constataram que os indivíduos com apneia do sono apresentavam, em média, 78% de ancestralidade europeia. Já nos indivíduos sem o distúrbio, essa porcentagem caiu para 73%.
Por outro lado, a ancestralidade africana apareceu como um fator protetor para esse distúrbio de sono e a ancestralidade asiática ou indígena não mostrou ser fator de risco.
Segundo a geneticista Camila Guindalini, uma das responsáveis pelo estudo, o resultado mostra que os europeus possuem uma genética que favorece ao aparecimento da apneia. “Esses indivíduos tem uma predisposição a ter o distúrbio, independente dos fatores mais conhecidos, como a obesidade e a velhice, por exemplo”, diz. ”O próximo passo é investigar o motivo dessa diferença genética entre europeus e africanos”, afirma Camila.
A pesquisa avaliou um universo composto de indivíduos entre 20 e 80 anos, sendo 55.7% de
mulheres e 44,3% de homens de todas as classes sociais da cidade São Paulo. O resultado foi divulgado no Congresso Mundial de Medicina do Sono, que aconteceu nesta semana, em São Paulo.
Segundo Camilla, o estudo sobre a Influência da ancestralidade deve ser estendido para outros distúrbios do sono, como a insônia, o ronco (que nem sempre está associado à apneia) e a síndrome das pernas inquietas
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