O anúncio desta quinta foi feito pelo chefe do Escritório Nacional de Estatísticas da China, Ma Jiantang. Segundo a BBC, ele não quis afirmar se a economia da China realmente ultrapassou a japonesa, que divulgará seus dados em fevereiro e que pode ter encolhido 6%. “De acordo com os padrões da ONU – de um dólar por dia – ainda há 150 milhões de pessoas pobres na China. Essa é a nossa realidade, então, apesar do crescimento do PIB e da força econômica, ainda temos que reconhecer que a China é um país em desenvolvimento”, afirmou.
O argumento do dirigente chinês não é influenciado pela modéstia do governo. Ser considerado um país emergente e não uma potência estabelecida é um trunfo em muitas negociações, como a das mudanças climáticas, qual as nações desenvolvidas têm um ônus maior.
Ao mesmo tempo, Ma Jiantang afirmou que apesar das “severas dificuldades” enfrentadas pelo país em 2009, a economia está agora “na direção certa”. Ainda segundo ele, a inflação, que ficou em 1,9%, “está sob controle”.
A calma de Jiantang é apenas aparente. Neste ano o governo chinês determinou que os bancos aumentassem a reserva compulsória e novas medidas, como o aumento da taxa de juros e uma pequena valorização do iuan, podem ser colocadas em prática para frear uma recuperação que seria insustentável.
Além da inflação, há grande preocupação com a formação de uma bolha no mercado imobiliário. Os dois problemas foram causados pela forma como se deu a recuperação chinesa, sustentada primordialmente por empréstimos bancários, que em 2009 foram 30% maiores que em 2008, e por gastos do governo. Enquanto a ampliação de aeroportos (como o de Hongqiao, em Xangai, na foto) e a melhoria de ferrovias podem ajudar a economia no futuro, os empréstimos podem trazer problemas caso tenham sido oferecidos a pessoas que não poderão pagá-los no futuro.
Pelo tamanho de sua economia, e pelo peso que tem na economia mundial, tudo o que ocorre na China causa impacto nas bolsas de todo o mundo. O crescimento de 8,7% do PIB, que supera até a meta de 8% estabalecida por Pequim, é motivo de comemoração, mas como a recuperação da crise pode ameaçar o crescimento futuro, a euforia é contida. A única alternativa dos investidores e de outros governos, que não têm sucesso em influenciar a tomada de decisões do governo Chinês, é aguardar as futuras medidas de Pequim.
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